"Tectônicas" segue em cartaz no Teatro do SESI-SP

Espetáculo tem texto de Samir Yasbek e direção de Marcelo Lazzaratto

Foto: João Caldas


Tectônicas parte da obsessão de Jorge (André Garolli), um usineiro paulista, por punir Marcelo (Sidney Santiago Kuanza), que teria agredido sua filha, Fabíola (Maria Laura Nogueira).


A peça investiga como essa obsessão, que ignora os ritos da justiça institucional, contamina as relações mais íntimas do usineiro (Emílio – Heitor Goldflus, Marli – Luciana Carnieli, Luna – Patricia Gasppar, Antenor – Alexandre Borges, e Nicão – Ademir Emboava, os dois últimos participações em vídeo) e estrutura a nossa sociedade, provocando uma espiral de violência que revela a face mais opressiva do patriarcado brasileiro.

Para quem não puder ir ao teatro a peça estará disponível em vídeo, a apresentação filmada ficará on-line no YouTube do Sesi-SP.

Tectônicas pretende estimular uma reflexão sobre o nosso momento histórico, em que a violência tem preponderado tanto nas relações pessoais quanto nas sociais. Um convite à percepção de que não somos apenas as vítimas de um sistema que condenamos, mas os seus agentes e muitas vezes os seus algozes.”, explica Samir Yazbek.


Fotos: João Caldas


A narrativa é conduzida de forma épica por Dolores e Alfredo, familiares já mortos do usineiro (Dolores – Sandra Corveloni e Alfredo – Mauro Schames), metaforizadas nas "tectônicas" (título da peça), palavra de origem grega (“tektoniké”) que significa “a arte de construir”, remetendo às placas que vivem recriando a paisagem da Terra.

“Por meio da dialética criada entre passado e presente, pretende-se investigar não apenas como o primeiro determina o segundo, mas como o segundo pode redimensionar o significado do primeiro – daí o sentido da personagem Dolores (mãe de Jorge), que, embora já morta, pretende comunicar-se com o público, utilizando-se da metáfora das tectônicas, inspirada no universo da geologia”, completa o autor.


Sobre a encenação

Um organismo metálico e tubular livremente inspirado nas usinas de cana de açúcar é o cenário principal da peça, criado pelo diretor Marcelo Lazzaratto. “É o espaço em que todas as personagens, de certa forma, estão inseridas, podemos até dizer reféns, com maior ou menor consciência disso. Presas ao poder imposto por um patriarcado atávico que remonta aos primeiros passos de nossa colonização com as capitanias hereditárias e que até os dias de hoje regem, oprimem, determinam vidas e destinos, as personagens relacionam-se revelando sua insatisfação e desejo de mudança, mas também sua impotência.”, observa Lazzaratto.


No centro desse organismo uma chaminé, síntese desse poder que queima e espalha com sua fumaça sua verdade e ambição, é o lugar, o escritório, o altar, a plataforma de Jorge, o grande senhor, que dali rege tudo.

Sobre essa estrutura, imagens e vídeos são projetados revelando o absoluto controle de Jorge sobre o que acontece à sua volta, como se ali também fosse uma sala de operação e vigilância; mas também anteparo para vídeos com imagens críticas a esse poderio.


Fotos: João Caldas


Ao redor desse organismo metálico e tubular existe um espaço vazio, ermo, quase outra dimensão em que personagens misteriosas transitam buscando entender como interferir nas veias e artérias do organismo, visando sua transformação, cura, ou mesmo, fim.


Completam a equipe criativa desta encenação o iluminador Wagner Freire, Marichilene Artsevskis, que assina os figurinos, Dan Maia, que faz a música original, e vídeo de André Guerreiro Lopes.


FICHA TÉCNICA

Texto: Samir Yazbek

Direção: Marcelo Lazzaratto

Elenco: André Garolli, Heitor Goldflus, Luciana Carnieli, Maria Laura Nogueira, Mauro Schames, Patricia Gasppar, Sandra Corveloni e Sidney Santiago Kuanza.

Participações em Vídeo: Ademir Emboava e Alexandre Borges.

Iluminação: Wagner Freire

Cenografia: Marcelo Lazzaratto

Figurinos: Marichilene Artsevskis

Música original: Dan Maia

Direção e criação dos vídeos projeções: André Guerreiro Lopes

Fotografia: João Caldas Fº

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Produção Executiva: Fabrício Síndice e Vanessa Campanari

Direção de Produção: Edinho Rodrigues

Realização: SESI-SP e Brancalyone Produções Artísticas


TECTÔNICAS

Temporada: Até 28 de Novembro*

Horário: Sexta e Sábado, às 20h | Domingo, às 19h

Local: Teatro do SESI-SP - Av. Paulista, 1.313

Ingressos: Gratuitos | Reserve aqui**

Duração: 80 minutos

Gênero: drama

Classificação: 12 anos


*Sessões extras: Dias 20 e 27 de Novembro, às 19h

** Novas reservas são abertas toda segunda-feira, às 8h, para as sessões daquela semana.


Temporada no YouTube do Sesi-SP: disponível até 20 de Dezembro