Solo da atriz Martha Meola participa do Teatro Vivo em Casa

"Uma Mulher Só" mostra sua atualidade e faz mais uma apresentação gratuita.


Trancada em sua casa pelo marido, uma mulher se alegra com a chegada de uma nova vizinha, de quem se torna amiga e confidente. É a partir desse mote que se desenvolve o monólogo UMA MULHER SÓ, monólogo com a atriz Martha Meola que tem direção de Marco Antônio Pâmio. Depois de uma temporada pelo Sympla, a peça se apresenta no projeto Teatro Vivo em Casa, que tem a curadoria de André Aciolio.


UMA MULHER SÓ já ganhou montagens com Denise Stoklos e Marília Pêra interpretando o papel desempenhado por Martha agora. Esse é o primeiro de uma coletânea de textos sobre a condição feminina, escritos e encenados em 1977 pelo casal Dario Fo e Franca Rame. Marco Antônio Pâmio tem vontade de, assim que os teatros voltarem, produzir uma série com todos esses textos e incluir essa montagem que estreia agora também, só que numa versão para os palcos.


Martha diz que a ideia para estrear o espetáculo surgiu da necessidade de produzir durante a pandemia. “Quando a quarentena chegou, não queria ser engolida pela inércia. Conversei com o Pâmio e, depois de algumas ideias, chegamos a esse texto". Essa é a 4ª parceria da dupla. Pâmio e Martha já dividiram a cena uma vez como atores e essa é terceira vez que os dois estão em um projeto como atriz e diretor.  


Após uma temporada direto da sala da casa de Martha, a peça se apresenta novamente de maneira digital, mas, dessa vez, no teatro Vivo. Com isso, o espetáculo ganha algumas adaptações para continuar funcionando online, porém, em um novo espaço, com mais recursos técnicos, por exemplo. “Estou num misto de felicidade por estar de volta aos palcos, mas ainda ansiando pelo momento que teremos plateia. A peça vai ganhar uma cara nova com algumas adaptações para o novo espaço e, junto com isso, vem toda uma curiosidade para esse resultado, como se tivesse estreando novamente”, explica Martha.


A comédia como facilitador


Martha e Marco buscaram um texto que tivesse uma leveza quando decidiram começar um projeto. Apesar de UMA MULHER SÓ trazer um tema pesado, ele o apresenta por meio da comédia. “Falamos sobre machismo, objetificação e violência contra a mulher, liberdade sexual, mas tudo por meio da comédia. O riso ainda é um dos melhores caminhos para se chegar à consciência”, comenta Martha. Em cena, sua personagem vê a possibilidade de experimentar um amor sem as amarras do machismo, com liberdade sexual, mas briga com preconceitos enraizados.

“Com todo o retrocesso que vivemos atualmente, vemos que o tema abordado ainda é muito atual e extremamente urgente. Estamos na quarentena, em uma época de isolamento social e ficar em casa é, de certa forma, estar em um refúgio de segurança. Porém, para muitas mulheres, o que deveria ser um abrigo e um lugar de conforto, é exatamente o seu maior risco”, afirma Pâmio. E Martha completa: “É função dos artistas jogar luz em cima desses temas e fazer as pessoas pensarem sobre eles”.

Ampliando alcance


Martha acredita que o modelo do teatro digital veio para ficar: “Se tem uma vantagem nele é ver nosso trabalho chegando em lugares que nem um teatro tem. É possível ampliar o alcance e acredito que mesmo quando os teatros voltarem, iremos continuar a produzir para esse híbrido entre o teatro, televisão e o cinema. Tenho levado arte direto da sala da minha casa”


Acostumada ao audiovisual, Martha acredita que a experiência nessa linguagem ajuda para UMA MULHER SÓ. “Olho para a luz verde da câmara e a encaro como se fosse a platéia. O fato da personagem conversar o tempo inteiro com a vizinha na janela, me coloca numa posição de conversa e interação com a tela também”, conta. Pâmio reforça: “Ter a vizinha na carpintaria dramatúrgica de Dario Fo e Franca Rame nos dá uma possibilidade muito boa de manter um contato próximo com o público e interagir a todo momento”.


“Para mim, esse modelo digital é uma linguagem muito híbrida e nova ainda. Na minha visão, não é teatro, não é TV e não é cinema. Porém, dirigir a Martha em meio a todos esses desafios foi algo muito fácil. Já tínhamos uma sintonia e conhecia os recursos dela como atriz - e são muitos. E desde o início, tinha muito claro na cabeça que queria um resultado próximo do teatro, mesmo apresentando em uma tela”, explica Pâmio.


Seu trabalho foi desenvolvido em conjunto com a direção de movimento de Marco Aurélio Nunes. “Depois que trabalhamos muito o texto para cortar e chegar nos 40 minutos de peça, focamos na questão de movimento corporal que é algo muito forte nesse espetáculo. Foi com esse elemento que conseguimos achar o equilíbrio para a cena: afinal, não podíamos partir para uma movimentação nem muito exagerada, nem muito minimalista”, comenta o diretor. 



UMA MULHER SÓ


Data: Dia 31 de Outubro

Horário: Sábado às 20h

Local: Transmissão ao vivo no Zoom

Ingresso: Gratuito

Resgate dos ingressos pelo perfil Vivo Cultura no Instagram na quinta-feira que antecede a apresentação.