Ronaldo Serruya ministra o curso "A Arte Queer do Fracasso"

A ideia é investigar a possibilidade de desmantelar a lógica do sucesso como esforço e o fracasso como a via mais fácil.


Ronaldo Serruya


Tendo como plataforma de trabalho a obra "A Arte Queer do Fracasso" de Jack Halberstam, um dos mais instigantes teóricos queer da atualidade, o Núcleo de Pesquisa pretende investigar alternativas e rotas de fuga numa sociedade obcecada por uma ideia heteronormativa de sucesso a partir das perguntas:

  • A quem interessa as histórias de triunfo?

  • Que tipos de recompensas o fracasso pode nos oferecer?

  • Que lugar pode ter a força do que, por ser desviante, é rejeitado como frágil, imperfeito e inverossímil num mundo sedento pela ideia de triunfo?

A ideia do Núcleo é investigar a possibilidade de desmantelar a lógica do sucesso como esforço e o fracasso como a via mais fácil, perpetuada pelas estruturas do neoliberalismo e abraçar a ideia de recusa e de inadequação como uma possibilidade antiassimilacionista e revolucionária.


Se todo corpo tem uma história e um histórico, a ideia do Núcleo é se apropriar dessas duas premissas e a partir delas elaborar um discurso artístico que se funda no fracasso, uma espécie de soberania às avessas, pela afirmação da impossibilidade como saída da estrutura normativa.

Jack Halberstam, autor do livro "A Arte Queer do Fracasso"


Admitindo a experiência queer como um atravessamento intimamente ligado ao falhar, ao perder, ao esquecer e ao desfazer, não como negação ou desconstrução apenas, mas como um estilo de vida, a ideia é investigar a recusa do triunfo como ato subversivo, a opção do fracasso como um caminho claramente pelas margens, como uma maneira de se recusar a aquiescer a lógicas dominantes de poder e disciplina e como forma de crítica.


“O que me motiva é a possibilidade de continuar verticalizando uma investigação sobre a perspectiva queer para o mundo, que pressupõe uma ideia de não assimilação das coisas dadas como naturais pela norma, de questionar essa espécie de contrato ficcional que ela estabelece, de determinar uma atitude de desconfiança daquilo que é nos vendido como atributos universais de sentido. A ideia é colocar em xeque o pressuposto heteronormativo de sucesso, e pensar o fracasso não como desistência, mas como a recusa de estar no mundo privilegiando certos valores, abdicando da expectativa e consolidando outros sentidos” acrescenta Ronaldo Serruya.


ARTE QUEER DO FRACASSO

(a quem interessa as histórias de triunfo?)


Orientação: Ronaldo Serruya

Inscrições: Até 3 de novembro às 22h. Clica aqui.

Período: de 05/11 a 17/01, às quintas-feiras, das 19h às 21h.

Local: via Plataforma Zoom

Vagas: 20

Valor: Gratuito