Projeto Futurismos Ladino Amefricanas abre inscrição para exposição Online

Idealizado por Sanara Rocha, a plataforma multidisciplinar pretende aglutinar artistas que versam a partir de suas poéticas e produções filosóficas sobre os saberes ancestrais ameríndios e americanos.


Laís Machado


Com referência no conceito Ladino Amefricanidade da intelectual Lélia Gonzales, que traz à luz as contribuições e as experiências de luta dos povos negros e indígenas nas Américas, a plataforma orgânica multidisciplinar online Futurismos Ladino Amefricanas (F.L.A), idealizado pela feminista negra, pesquisadora, produtora cultural e multiartista Sanara Rocha, está com inscrições abertas entre 12 e 31 de janeiro para Exposição Online de trabalhos em artes visuais apoiados na técnica da fotoperformance, através do formulário online.


Diante da pandemia do Covid-19, Sanara Rocha, mestre em Cultura e Sociedade pelo Pocult- UFBA, viu em seu projeto Futurismos Ladino Amefricanas condições para fortalecer a permanência da coletividade. Ainda em isolamento, a mestra foi provocada pela possibilidade de aglutinar artistas e pensadores em meio online, no entorno de pensar/forjar um futurismo negro-indigena brasileiro, a partir de saberes e técnicas que são ancestrais e futuristas concomitantemente.


A convocatória (Clique aqui para ter acesso ao edital) selecionará seis trabalhos dos 12 que serão expostos numa galeria online. Rompendo com as estruturas hierárquicas, sexistas e racistas por meio da explicitação das potencialidades advindas de artistas descendentes dos povos negro e indígenas reserva de 50% das vagas (3) da exposição para indígenas aldeadas ou autodeclaradas indígenas.


Entre artistas-pesquisadores que devem apontar, através das suas poéticas e seu cotidiano, tecnologias e saberes negro-índigenas brasileros como metodologias efetivas de produção do futuro decolonial, já estão Atteus Shamaxy, Dani de Iracema, Dorotiane, Laís Machado, Ricardo Andrade e Tina Melo. A curadoria da exposição é de Sanara Rocha, da costureira, artista visual e performer Jeisekê de Lundu, e da diretora teatral, performer e pesquisadora das artes Diega Pereira.


As fotoperfomances devem versar sobre os saberes negro-indígenas brasileiros bem como as suas ressignificações no contexto da contemporaneidade como possibilidade tecnológica na construção de um futuro-presente tecido na pele e encarnado como memórias que desconstroem o pensamento dominante e normativo bem como reinventa mundos e possibilidades de existência. Além de lançar luz sobre as identidades negro-indígenas e suas cosmologias e cosmogonias por uma perspectiva não colonial e universalizante, versando-as como fluidas e multifacetadas.


Na ordem: Dorot Ruanne, Diega Pereira, Sanara Rocha, Tina Melo e Ricardo Andrade


É na encruzilhada que a criação surge. Não é possível criar sem misturar partes destoantes. Para a curadora Jeisekê de Lundu, por conta dos contextos de guerras coloniais que ainda vivemos, absorver e transmutar linguagens é uma necessidade, não apenas uma escolha estética. “Produzir performance e curar esse trabalho aglutinando os desejos que já trago em minha trajetória com os que a F.L.A. propõe tem aberto minhas percepções para uma criação dissidente pulsante em nossas geografias”, realça a artista visual.


A exposição deságua em uma revista gratuita e também online, a ser lançada até o mês de março. Sanara Rocha, propulsora do projeto, acredita que a memória não é somente um espaço de lembranças traumáticas, de dores, de angústia, mas de resistência e cura. “Para nós, povos não brancos deste território, as memórias vêm sendo como verdadeiros espelhos, onde miramos e enxergamos todas, todes, todos nós como seres de valor. Isso é lembrar e construir o futuro!”, trouxe Sanara.


A última ação do Futurismos Ladino Amefricanas é a obra multilinguagem A Mulher Sem Cabeça, performance-ensaio rito-musical dividida em dois experimentos audiovisuais a serem estreados no mês de abril. O projeto é contemplado pelo Prêmio Anselmo Serrat Linguagens Artísticas, da Fundação Gregório de Matos, Prefeitura de Salvador, por meio da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, com recursos oriundos da Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Governo Federal.


SERVIÇO

Inscrição para exposição online do projeto Futurismos Ladino Amefricanas (F.L.A.)

De 12 a 31 de Janeiro de 2021

Faça a sua inscrição aqui.