"Por que não vivemos?" será realizado no formato digital, em três atos

Também será disponibilizado o curso “Dramaturgia, Performance e Processos Criativos no Teatro Contemporâneo”.

Foto: Nana Moraes


Em março de 2020, a temporada de Por Que Não Vivemos?, da cia brasileira de teatro, corria com plateias cheias e filas. Originalmente programada para o CCBB SP, a reforma do teatro fez com que a estreia fosse realizada no Teatro Municipal Cacilda Becker, na Lapa, em São Paulo. Em virtude da pandemia da covid-19 e com o fechamento das casas de espetáculos, a peça interrompeu suas apresentações e os artistas entraram em quarentena.


O resguardo inquietou artistas e produtores em suas casas, e as pesquisas cênicas no âmbito digital começaram a virar realidade. Os estudos realizados começaram a dar frutos e um deles é a transposição do espetáculo para o universo digital.


A peça está dividida em três atos, cada um deles apresentado em um único dia, em duas sessões. Também será oferecido gratuitamente um curso/palestra “Dramaturgia, Performance e Processos Criativos no Teatro Contemporâneo”, com Marcio Abreu, Nadja Naira e Giovana Soar.


Por que não vivemos? estreou em julho de 2019 no CCBB do Rio de Janeiro, fez temporada no CCBB Brasília no mês de setembro e no CCBB Belo Horizonte em novembro do mesmo ano. Em 2020, o espetáculo chegou a São Paulo no Teatro Municipal Cacilda Becker, desta vez com patrocínio do Banco do Brasil e Eletrobras Furnas, mas teve sua temporada interrompida após a realização de 10 sessões, retomadas agora no formato online.


Foto: Nana Moraes


A adaptação digital de Por que não vivemos?

Em junho de 2020, a cia brasileira de teatro iniciou uma pesquisa sobre a escuta, a manipulação e detalhe do som, em especial àquele aliado às palavras, às dramaturgias. Duas peças sonoras da série “Escutas Coletivas” foram realizadas pelo grupo: “Maré”, uma reação artística ao real sobre o Complexo da Maré, localizado no Rio de Janeiro, e “Luto”, um exercício sonoro a partir da peça “Rubricas”, de Israël Horovitz.


Dessa experiência da Escuta Coletiva nasceu o primeiro ato da transposição de Por que não vivemos? para a versão digital. Nesta adaptação de linguagem e meios da peça, a equipe criativa voltou ao trabalho dramatúrgico e reescreveu cenas, moldando cada ato do espetáculo a uma passagem individual. Isto manteve a dimensão e roteiro do texto em três episódios, esteticamente distintos como no espetáculo produzido presencialmente.


As partes da obra, realizadas em dias únicos, têm duas sessões, sempre às 18h e 21h. Dia 11 de dezembro será apresentado o primeiro ato. Neste episódio, o destaque é para o formato da ESCUTA COLETIVA, sem imagens e com a apresentação, pelo elenco, de suas personagens e relações na obra, além da “festa de reencontro”, proposta na dramaturgia de Tchekhov.


O segundo ato, dia 12 de dezembro, dá novo significado às imagens gravadas para o espetáculo presencial, com cenas executadas ao vivo pelos atores, o que torna mais próxima a experiência realizada digitalmente.


O terceiro e último ato, programado para dia 13 de dezembro, tem os atores e atrizes, a partir de suas casas, em super closes narrando as ações/cenas para o desfecho da peça.


“Criar uma experiência online a partir de uma peça que existe presencialmente e que tem grande proximidade com o público apresenta desafios de como buscar o vínculo com as pessoas através da escuta e da percepção dos aspectos mais fundamentais da peça, numa adaptação em três episódios, mantendo as diferenças de linguagens em cada parte, que caracterizam a montagem original”, diz o diretor Marcio Abreu.

Sobre a obra

Escrita pelo dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860-1904) por volta dos 20 anos, a história do professor Platonov foi descoberta nos arquivos do seu irmão após a sua morte, e publicada em 1923. Até então inédita no Brasil, a obra foi publicada em diversos países como Platonov em homenagem a um dos personagens, o professor Mikhail Platonov. Giovana Soar ressalta que o título escolhido pela companhia de Por que não vivemos? traduz o drama que permeia o espetáculo. “São pessoas que gostariam de estar em outro lugar, mas não fizeram nada para isso. Mostra como a trama da vida vai se desenrolando e as pessoas vão caindo na armadilha de ficar onde estão”.


A peça trata de temas recorrentes na obra de Tchekhov, como o conflito entre gerações, as transformações sociais através das mudanças internas do indivíduo, as questões do homem comum e do pequeno que existem em cada um de nós, o legado para as gerações futuras – tudo isso na fronteira entre o drama e a comédia, com múltiplas linhas narrativas. “É o primeiro texto de Tchekhov, um texto muito jovem, mas muito revisitado em diversos países porque tem nele o que depois vem a ser o cerne do Tchekhov”, diz o diretor.


“A montagem tem um foco muito específico nas personagens femininas. São elas que causam transformação, que caminham, que querem mudanças, contravenções e que enfrentam conceitos pré-estabelecidos na sociedade da época”, conta Giovana. A artista complementa que esses traços estavam no texto de Tchekhov, mas foram acentuados na adaptação. Para ela, o olhar do autor causava uma espécie de premonição para os movimentos futuros que se sucederam.


Foto: Nana Moraes


Sobre A Companhia

A companhia brasileira de teatro é um coletivo de artistas de várias regiões do país fundado pelo dramaturgo e diretor Marcio Abreu em 2000, em Curitiba, onde mantém sua sede num prédio antigo do centro histórico. Sua pesquisa é voltada sobretudo para a criação contemporânea. Entre suas principais realizações, peças com dramaturgia própria, escritas em processos colaborativos e simultâneos à criação dos espetáculos, como “PRETO” (2017), “PROJETO BRASIL” (2015), “Vida” (2010), “O que eu gostaria de dizer” (2008), “Volta ao dia...” (2002). Há ainda uma série de criações a partir da obra de autores inéditos no país: “Krum” (2015), de Hanock Levin; “Esta Criança” (2012), de Joël Pommerat; “Isso te interessa?” (2011), a partir do texto “Bon, Saint-Cloud”, de Noëlle Renaude; “Oxigênio” (2010), de Ivan Viripaev. A companhia realiza frequentes intercâmbios com outros artistas no país e no exterior. Estreou na França em 2014 o espetáculo “Nus, ferozes e antropófagos” em parceira com o coletivo francês Jakart. Mantém um repertório ativo e que circula com frequência. Recebeu os principais prêmios das artes no país. Mais informações no site da Companhia Brasileira de Teatro.



Ficha Técnica

Por que não vivemos?

Da obra Platonov, de Anton Tchekhov

Direção: Marcio Abreu

Assistência de Direção: Giovana Soar e Nadja Naira

Elenco: Camila Pitanga, Cris Larin, Edson Rocha, Josy.Anne, Kauê Persona, Rodrigo Ferrarini, Rodrigo de Odé e Rodrigo Bolzan

Adaptação: Marcio Abreu, Nadja Naira e Giovana Soar

Tradução: Pedro Augusto Pinto e Giovana Soar

Direção de Produção: José Maria

Produção Executiva: Cássia Damasceno

Assistência de Produção: Leonardo Shamah

Iluminação: Nadja Naira

Trilha e efeitos sonoros: Felipe Storino

Direção de movimento: Marcia Rubin

Cenografia: Marcelo Alvarenga | Play Arquitetura

Figurinos: Paulo André e Gilma Oliveira

Direção de arte das projeções: Batman Zavareze

Edição das imagens das projeções: João Oliveira

Câmera: Marcio Zavareze

Técnico de som | projeções: Pedro Farias

Assistente de câmera: Ana Maria

Operador de Luz: Henrique Linhares e Ricardo Barbosa

Operador de vídeo: Marcio Gonçalves e Michelle Bezerra

Operador de som: Bruno Carneiro e Felipe Storino

Contrarregragem: Hevaldo Martins e Alexander Peixoto

Máscaras: José Rosa e Júnia Mello

Fotos: Nana Moraes

Programação Visual: Pablito Kucarz

Assessoria de Imprensa São Paulo: Canal Aberto

Difusão Internacional: Carmen Mehnert | Plan B

Produção: companhia brasileira de teatro

Projeto realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura

Apoio: Secretaria Municipal da Cultura

Patrocínio: Banco do Brasil e Eletrobras Furnas

Realização: Centro Cultural Banco do Brasil, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.


Companhia Brasileira de Teatro

Direção de Produção: Giovana Soar e José Maria

Administrativo e Financeiro: Cássia Damasceno

Assistente Administrativo: Helen Kaliski


Por que não vivemos?

Temporada Digital: 11, 12 e 13 de dezembro de 2020


Dia 11 de Dezembro – 1º. Episódio – sessões às 18h e 21h. Duração: 60 minutos

Dia 12 de Dezembro – 2º Episódio – sessões às 18h e 21h. Duração: 30 minutos

Dia 13 de Dezembro – 3º Episódio – sessões às 18h e 21h, seguidas de bate-papo com elenco, direção e produção sobre a obra e sua experiência digital. Duração: 90 minutos


Gênero: Comédia Dramática | Classificação indicativa: 16 anos | Grátis


Baixe do App da SYMPLA para Android ou IOS na App Store ou Google Play e adquira seu ingresso gratuitamente.


Ingressos individuais e limitados à capacidade da plataforma.

Em todas as sessões haverá Intérprete em Libras.


Curso Palestra

Dramaturgia, Performance e Processos Criativos no Teatro Contemporâneo

Com Marcio Abreu, Nadja Naira e Giovana Soar

Dias 15 e 17 de dezembro das 19h às 21h.

Inscrições gratuitas a partir do dia 1º de Dezembro. Vagas limitadas.

Inscreva-se aqui


Esta oficina parte do estudo de alguns exemplos de escrita de teatro contemporâneo, incluindo o repertório da companhia brasileira de teatro, especialmente da obra “Por que não vivemos? e do autor Anton Tchekhov. A partir da análise dos textos, das suas estruturas e suas ferramentas de escrita tentamos compreender seus desdobramentos na cena e no ator.