Mostra de teatro e performance LGBTQIAPN+ agita Teatro de Contêiner Mungunzá

Cinco jovens artistas apresentam mostra de trabalhos autorais sobre e a partir de suas vivências


Foto: Bruna Berthond


A sigla GLS – gays, lésbicas e simpatizantes – notoriamente em desuso nos dias atuais, inclusive por conta da sua incompletude diante da pluralidade de identidades e sexualidades, é o ponto de partida e uma evidente provocação para a MOSTRA GLS de Teatro e Performance LGBTQIAPN+. A mostra acontece no Teatro de Contêiner Mungunzá, E reúne os artistas Níke, Karla Ribeiro, Lucas Miyazaki, Oliver Olívia e Marco Antonio Oliveira em cinco espetáculos, além de exibição de vídeo-performances.


Os cinco jovens artistas ocupam lugares diversos dentro do espectro da sigla LGBTQIAPN+ e organizam coletivamente a mostra. A ideia da MOSTRA GLS de Teatro e Performance LGBTQIAPN+, além de reunir a diversidade de vozes, é fortalecer os trabalhos e apostar em modos coletivos de produzir e dar sustentação a obras recentes e com menor inserção no circuito teatral paulistano. O evento também contará com exibição de vídeo-performances dos artistas no intervalo entre os trabalhos presenciais.


Os espetáculos "Ele" e "O silêncio anuncia o grito ou VOZ BIXA" estrearam e foram ambos premiados no 29º Festival Mix Brasil, enquanto "A falsa ilusão de ser predadora" realizou abertura de processo na segunda edição da Mostra Solo Mulheres realizada pelo Teatro de Contêiner Mungunzá.


Um dos idealizadores da MOSTRA GLS de Teatro e Performance LGBTQIAPN+, o artista Marco Antonio Oliveira, conta que o uso da sigla GLS para o nome do evento é uma provocação. “Ao nos depararmos com a sigla, estamos olhando para um momento, uma fotografia do passado que coloca o movimento LGBTQIAPN+ em perspectiva temporal, nos instigando a pensar em que mudamos para além das letras. Em que progredimos? Quais debates ainda não foram superados? Enfrentamos que tipo de regresso? E sobretudo, o que, a partir dessa arqueologia de letras, é uma herança em nossos trabalhos artísticos? As siglas mudam, nossas existências ganham tamanho, nomes e projeção, mas não estariam nossos trabalhos ainda ocupando espaços de nicho em que cabem apenas a sigla?”, questiona ele.


GLS = Gramáticas, Linguagens Supostas/ Gafes, Línguas, Saídas/ Gênero, Libido, Suposição/ Gritaria, Linguagem, Subtexto/ Gente Linda e Simpática/ Gengivas, Línguas, Salivas/ Gozo, Lacuna, Silêncio/ Guardar Letrinhas dessa Sopa



PROGRAMAÇÃO


MOSTRA GLS DE TEATRO E PERFORMANCE LGBTQIAPN+

Data: Dias 24 e 25 de Setembro

Local: Rua dos Gusmões, 43 – Santa Ifigênia

Ingressos*:

Individual - R$ 10,00 (cada espetáculo)

Combo GLS – R$ 25,00 (as três peças do dia)


*Pessoas trans e moradoras da região do teatro têm entrada gratuita.


Dia 24 de Setembro


às 17h

A ORIGEM DO MUNDO

Duração: 30 minutos

Classificãação: 18 anos



Foto: Clara Moreno


Performance solo que investiga uma relação íntima com uma molécula sintetizada artificialmente. É talvez a ritualização de uma travessia para tornar esse processo maior que o próprio artista, um processo político que fala sobre a plasticidade do corpo.



às 19h


ELE

Duração: 60 minutos

Classificação: 18 anos


Foto: Amanda Clemente


Dois eles, um cisgênero e um transgênero, casados na vida real, se colocam num palco para juntos realizarem algumas ações e jogos performativos. São criadas imagens que remetem direta ou indiretamente a questões de sexualidade, gênero, existência e essência. Nesse percurso, surgem tensões, contradições e limites que suscitam reflexões acerca do que é um homem, um ele, ou o próprio masculino.



às 21h


O SILÊNCIO ANUNCIA O GRITO OU VOZ BIXA

Duração: 70 minutos

Classificação: 12 anos


Foto: Arthur Cunha


Desde a infância, meninos afeminados são constantemente repreendidos, o modo genuíno com o qual eles se relacionam com o mundo. A voz é silenciada antes que ela aprenda a falar. VOZ BIXA é uma narrativa biográfica e forjada para reencontrar um sussurro de voz na intimidade escondida, reconstruindo um universo de memórias individuais, mas também coletivas.



Dia 25 de setembro


às 17h


O SILÊNCIO ANUNCIA O GRITO OU VOZ BIXA

Duração: 70 minutos

Classificação: 12 anos


Foto: Bruna Berthond


Desde a infância, meninos afeminados são constantemente repreendidos, o modo genuíno com o qual eles se relacionam com o mundo. A voz é silenciada antes que ela aprenda a falar. VOZ BIXA é uma narrativa biográfica e forjada para reencontrar um sussurro de voz na intimidade escondida, reconstruindo um universo de memórias individuais, mas também coletivas.



19h


NÃO ELA: O QUE É BOM ESTÁ SEMPRE SENDO DESTRUÍDO

Duração: 60 minutos

Classificação: 16 anos


Foto: Divulgação


Um casal começa a morar junto ao mesmo tempo que um deles inicia seu processo de transição de gênero. Em meio à pandemia do COVID-19, eles convivem incessantemente por conta do isolamento social. Nessa peça, ambos estão em cena, e realizam jogos performativos com seu texto – uma dramaturgia que foi escrita em 2020 pelo marido cis, no início da transição de gênero do diretor da obra, e agora é revisitada em 2022, pelas pessoas que eles são hoje em dia.



às 21h


A FALSA ILUSÃO DE SER PREDADORA

Duração: 70 minutos

Classificação: 16 anos


Foto: Divulgação


cursos de uma preta e lésbica, ou melhor, sapatona, ou melhor, sapafemme, quer dizer, sapaqueen. O encontro com um erotismo nas encruzilhadas: Quando deseja e quando é desejada? Das experiências no mundo via corpa, sexo, sexualização e sexualidade, fricciona sua existência com a da comunidade queer a que quer (?) pertencer. É ela, a predadora insaciável? Faz dela e disso, experimento.