Espetáculo "O Amor e a Peste" estreia no formato online

Obra criada pelos atores Flavia Couto e Pedro Guilherme é Inspirada na vida e obra de Anais Nin e Antonin Artaud


O projeto é apresentado em dois dias, tendo dois movimentos diferentes. O “Movimento 1: Da vida à arte” é apresentado sempre às sextas-feiras às 20h, e o “Movimento 2: Da arte à vida” é apresentado sempre aos sábados às 20h. A temporada vai de 19 de fevereiro a 06 de março, com cotas de ingressos gratuitas e de R$ 15,00 a R$ 40,00. A transmissão acontece pelo zoom com reserva de ingressos pela plataforma Sympla. A peça faz parte do Projeto EPIDEMIAS contemplado pelo Proac Expresso Lab no. 36 da Lei Aldir Blanc pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.


“Escolhemos o título “O Amor e a Peste” como extensão desses dois movimentos da peça, que além de refletir sobre as questões entre arte e vida trazem à tona as duas polaridades: Eros, êxtase do encontro amoroso e o impulso de criação; e Thanatos, a separação amorosa dos corpos dos amantes, a pulsão de morte de uma sociedade maquinal, a peste, os movimentos disruptivos.” Comenta Flavia.


O Amor e a Peste nasceu de uma imersão realizada no período de isolamento durante a pandemia, tendo como ponto de partida e inspiração as relações entre vida e arte suscitadas no encontro artístico e amoroso de Antonin Artaud e Anaïs Nin. Esses artistas emblemáticos inspiraram os atores-criadores, o casal de atores Flavia Couto e Pedro Guilherme, a escrever diários, reflexões e inquietações durante o período de isolamento, acerca dos processos vividos por eles, tanto no âmbito da vida como da criação. O casal de artistas transpõe poeticamente a experiência de viver as flutuações de uma relação afetiva em meio ao confinamento e dentro de uma imersão criativa, estendendo à cena essas oscilações e pulsões de vida, do amor, e de morte, que chegam no ápice quando foram contaminados pela Covid-19, num extremo da turbulência do momento político-social.


Assim, a dramaturgia constrói sua teia narrativa nesses entrelaçamentos entre Artaud e Pedro e Anaïs e Flavia, na relação entre Vida e Arte, entre Eros e Thanatos, o êxtase e a finitude das coisas - a morte, criando um paralelo com a realidade atual.


Durante esse período de isolamento, de residência artística na própria casa, foram convidados para participar de maneira remota diversos colaboradores de áreas distintas para trazer contribuições práticas e teóricas, proporcionando afunilar a dramaturgia do corpo e texto, aprofundando a tessitura do material das reflexões trazidas pelos atores, além de um olhar externo, direcionamentos ao trabalho do ator, corporal, dramatúrgico, sonoro e visual. São eles: os diretores provocadores Donizeti Mazonas e Maria Fernanda Vomero, a preparadora corporal Lara Dau Vieira e o músico Edson Secco, que assina a trilha sonora original.



Pedro conta que “a necessidade é de refletir sobre a banalização da vida e situar essa criação que reflete sobre o mundo atual, por meio do testemunho de dois importantes artistas como Antonin Artaud e Anaïs Nin”. Assim, foram resgatados na dramaturgia alguns dados históricos, como a conferência “O Teatro e a Peste” de Antonin Artaud, realizada na Sorbonne em 1933 e registrada no diário de Anaïs Nin. Essa cena é um dos pontos de partida para uma das reflexões centrais da peça, sobre o resgate da sensibilidade e do corpo afetivo do homem em meio a uma sociedade tão maquinal e mercantil. A frase que Anaïs fala a Artaud no dia da conferência e registra em seu diário vai no cerne da questão “Para você morrer de peste, não é mais terrível que morrer de mediocridade, de espírito mercantil, da corrupção que nos rodeia”.

Sinopse

A peça se divide em dois movimentos. O movimento "Da Vida para a Arte" fala do encontro amoroso de Anaïs Nin e Antonin Artaud. Esse encontro de um erotismo fantasmático, permite o espelhamento do casal de atores Flavia Couto e Pedro Guilherme no momento atual, em que partilham a experiência de viver uma relação afetiva em meio ao confinamento de uma pandemia, quando foram contaminados pelo Covid. O segundo movimento "Da Arte para a Vida", fala do encontro artístico entre Anaïs Nin e Antonin Artaud, em que Anaïs descreve em seu diário a conferência “O Teatro e a Peste” realizada em 1933 por Artaud e a criação de ambos contaminados nas relações arte e vida. Essa parte também conta com as reflexões dos atores sobre o processo de criação em tempos de crise.

Nos dois movimentos, o encontro entre Anais e Artaud se expande para a realidade do casal de atores, criando uma outra linha dramatúrgica paralela. Os personagens e atores se contaminam, se misturam, construindo pontos de convergência entre textos, que conduzem o discurso da peça.


Sobre Núcleo do Desejo

O núcleo "Do desejo" é formado por Flavia Couto e Pedro Guilherme e tem a colaboração de diversos artistas como Antônio Januzelli, Donizeti Mazonas, Maria Fernanda Vomero, convidados para criação/pesquisa de projetos acerca de escrituras da cena, do corpo e texto, investigando o desejo como eixo central, a potência de vida e criação que ele provoca, bem como pulsão de morte.


2020 - O Tablado Lírico de Hilda Hilst parte 2 - e O Tablado Lírico de Hilda Hilst parte 1- - Programação online da biblioteca Mário de Andrade; 2019 - Escrituras Desejantes - Abertura de Processo no Teatro Zanoni Ferrite em 17/08/2019 – São Paulo. ProAc Bolsa de Aprimoramento - Curso intensivo e residência no Théâtre Le Colombier com Roberta Carreri do Odin Teatret e Fabio Sforzini do Théâtre des Grands Chemins. Les Cabannes. França. 2019/2018/2017 Anais Nin à flor da Pele Direção: Aline Borsari. Festival MigrActions – no Théâtre de l’Opprimé – Paris. SESC Taubaté - Centro Cultural Banco do Nordeste de Sousa e Centro Cultural Banco do Nordeste de Juazeiro do Norte. Esteve em Cartaz na Oficina Cultural Oswald de Andrade e estreou em Paris no Teatro Regard du Cygne.


CIA. PROVISÓRIO- DEFINITIVO

Criada em 2001 por formandos em Artes Cênicas na ECA-USP, a Cia. Provisório-Definitivo comemora 18 anos. Cia. premiada, EM 2018 representou o Brasil no Festival Damai Super Live em Chengdu, na China, com AS ESTRELAS CADENTES DO MEU CÉU SÃO FEITAS DE BOMBAS DO INIMIGO - duas indicações para o Prêmio Shell 2013 (Melhor Direção e Melhor Iluminação). Sua última montagem, DADESORDEMQUENÃOANDASÓ foi contemplada com o Prêmio Zé Renato de Teatro – 2015 e o Proac Circulação - 2017. O espetáculo GANGUE foi o grande vencedor do Prêmio FEMSA em 2013, sendo premiado em três categorias (Melhor Espetáculo Jovem 2012, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante), PELOS ARES venceu o Prêmio de Melhor Peça Infantil no Cultura Inglesa Festival (2010); e FAMÍLIA DRAGÃO foi indicada ao Prêmio FEMSA 2009 de Melhor Ator Coadjuvante. Já TODO BICHO TUDO PODE SENDO O BICHO QUE SE É ganhou o Prêmio Funarte Petrobrás para Montagem de Textos Inéditos e indicação ao Prêmio FEMSA 2007 de Melhor Autor – Pedro Guilherme. Seu espetáculo de estreia, VERDADES, CANALHAS, foi premiado em todos os festivais que participou. A Cia. tem na sua trajetória seis espetáculos adultos, cinco infantis e um espetáculo jovem. Participou de inúmeros festivais e projetos de circulação teatral.


Ficha técnica

Concepção, dramaturgia e intérprete Criadores: Flavia Couto e Pedro Guilherme

Diretores Provocadores: Donizeti Mazonas e Maria Fernanda Vomero

Preparação Corporal e Desenho de Movimento: Lara Dau Vieira

Trilha sonora Original: Edson Secco

Operação de som e vídeo: Paula Arruda


O AMOR E A PESTE

Apresentações: de 19 de Fevereiro a 06 de Março

Horário: às 20h.

Ingressos: De R$ 15,00 a R$ 40,00


Links para reserva de ingressos:


Dia 19 de fevereiro, movimento 1

Dia 20 de fevereiro, movimento 2

Dia 26 de fevereiro, movimento 1

Dia 27 de fevereiro, movimento 2

Dia 05 de março, movimento 1

Dia 06 de março, movimento 2