Espetáculo "Monstro" estreia em temporada digital no Teatro Sérgio Cardoso

A Cia. Artera de Teatro discute os preconceitos enfrentados por um professor gay na tentativa de adotar uma criança

Foto: Alice Jardim


A peça conta a história de um professor de natação de uma escola infantil que decide se candidatar a adotar uma criança. Tudo vai bem, até acontecer uma situação na qual um dos alunos de sete anos o chama de gay. Este professor então resolve falar abertamente sobre o que é ser gay, encorajando uma cultura de aceitação e inclusão entre os seus alunos. O olhar social transforma este homem em um ser monstruoso, não recomendado à sociedade. A partir do desejo de adoção, a peça faz um retrato sobre um homem que vai perdendo seus poucos direitos. Poderia ser a história de um homem que teve uma lâmpada estourada em seu rosto na Avenida Paulista, a de uma travesti que teve o seu coração arrancado ou a de um jovem morto e queimado por sua própria mãe. Mas é, sobretudo, a história de Léo, da peça teatral Monstro. A direção é de Davi Reis. Monstro faz temporada digital no Teatro do Sérgio Cardoso em junho, no mês do Orgulho LGBTQIA+.


“E se perdêssemos nossos direitos? O que seria família no contexto contemporâneo? O que define as funções sociais de pai e mãe nos múltiplos arranjos familiares da atualidade? Vivemos uma reconstrução de paradigmas, a fim de incluir socialmente a família homoafetiva, estas novas famílias plurais vêm cada vez mais buscando a legitimação dos seus direitos. Porém, devido à forte implicação política e religiosa envolvida na atualidade, esta comunidade é marcada e perseguida por uma onda conservadora de violência e discriminações, afinal

estamos em um país que mais mata LGBTs no mundo", diz o diretor Davi Reis.


Foto: Alice Jardim


“Monstro vem sido gestado desde 2018, criado por uma forte sensação de medo ao final da eleição presidencial. Entendemos que vivemos em uma época de monstros sociais e, juntos, decidimos explorar neste projeto a monstruosidade na condição de discurso estético e político na identidade queer. Assim, aquilo que chamamos de monstro ou de monstruoso é uma espécie de caso limítrofe, uma forma marginalizada, um caso de abjeção. A figura do monstro é rechaçada através de diversas práticas, como: as transfóbicas, homofóbicas, as sexistas, as

misóginas. Temos uma sociedade violenta: jovens entram em escolas armados, professores são perseguidos e impedidos de promover o pensamento, é desolador o terreno da discussão sobre sexualidade. Ao colocarmos em cena um professor que sofre todo tido de violência homofóbica por expor sua sexualidade, estamos

problematizando as estruturas sociais e as educacionais também. Ainda há pessoas que definem gênero por azul e rosa. Essas discussões são difíceis, mas são necessárias. Percebemos que esse é um assunto sobre o qual não se fala, há um silêncio na comunidade LGBT e por isso decidimos enfocá-lo neste projeto artístico, pelos diferenciais que ele carrega em si e por sua tamanha complexidade. Falar de adoção em sistemas sociais em crise, revela a fragilidade dos direitos conquistados frente a uma onda de intolerância" conclui Ricardo Corrêa.



Sinopse

A peça conta a história de um professor de natação de uma escola infantil que, agora com seu marido, se candidataram a adotar uma criança. Tudo vai bem, até acontecer uma situação na qual um dos alunos de sete anos o chama de gay. Este professor então resolve falar abertamente sobre o que é ser gay, encorajando uma

cultura de aceitação e inclusão entre os seus alunos. A partir deste incidente, uma série de ataques começam a acontecer.


Foto: Alice Jardim


Ficha Técnica:

Dramaturgia e interpretação: Ricardo Corrêa.

Direção: Davi Reis.

Participação: Rafael Salmona e Davi Reis.

Fotos e Programação visual: Alice Jardim.

Figurino: Maitê Chasseraux.

Iluminação: Fran Barros.

Trilha sonora:

Fabio Manzione.

Cenário: Cia Artera e Cesar Resende de Santana.

Direção de movimento: Samya Enes.

Vídeo e edição: Ricardo Corrêa e Davi Reis.

Produção e Realização: Cia. Artera de Teatro.


MONSTRO

Temporada: De 24 de Junho a 11 de Julho

Horário: De Quinta à Domingo, às 21h

Ingresso: Gratuito | Retire aqui

Duração: 65 minutos.

Classificação: 16 anos.