Dramaturgia de Grace Passô para Medeia, "Mata Teu Pai, Ópera-Balada", estreia no Sesc Pompeia

Espetáculo reflete sobre a condição da mulher na atualidade


Foto: Angélica Goudinho


E se a história de Medeia, de Eurípedes, ganhasse novos contornos? Esse foi o ponto de partida para que a diretora, dramaturga e atriz Grace Passô subvertesse o texto clássico, ampliando as discussões sobre a condição da mulher hoje. O resultado pode ser visto no espetáculo “Mata Teu Pai, Ópera-Balada”, que estreia no Espaço Cênico do Sesc Pompeia.


O trabalho marca a estreia da cantora baiana Assucena no teatro. É ela quem interpreta a icônica Medeia, dividindo o palco com outras quatro atrizes e cantoras: Aivan, Eme Barbassa, Joana dos Santos e Warley Noua.


Foto: Angélica Goudinho


Dessa forma, a obra amplia as reflexões sobre o feminino e o sentimento de pertencimento, em um período fortemente marcado pelas reivindicações das minorias sociais.


“Causas como preconceito, discriminação racial e de gênero, xenofobia e sexismo passaram a pautar o cotidiano. E, na peça, Medeia vivencia tudo isso, além da transfobia. Precisamos olhar para o passado para analisar e/ou criticar comportamentos sob uma nova ótica e, com isso, trazer à tona reflexões para provocar mudanças efetivas na sociedade”, defende Inez.



Um olhar expandido sobre o feminino

Foto: Angélica Goudinho


Na trama de “Mata Teu Pai, Ópera-Balada”, Medeia peregrina entre os escombros de uma cidade e sente na pele a condição de imigrante e excluída. Seu caminho é atravessado por outras mulheres expatriadas de diferentes culturas e localidades – uma síria, uma cubana, uma judia e uma haitiana – de maneira que se cria uma forte cumplicidade entre elas. Esse grupo unido passa a questionar a sociedade, com sua violência e intolerância institucionalizadas.


A encenação também envolve uma personagem paulista, que representa o conservadorismo e o capitalismo. Ela não é interpretada por nenhuma atriz e sim por um coro.


Essa jornada se destaca por um processo de autoconhecimento. “Ao contrário do texto original, Medeia entende que Glauce, a filha de Creonte, é tão oprimida quanto ela, por isso não merece a morte. Afinal, ambas foram fundamentais para os homens da narrativa crescerem como seres humanos, e, mesmo com os seus sacrifícios, foram usadas e traídas por eles. Por isso, quem deve morrer é Ele, fazendo uma alusão direta ao patriarcado”, conta a diretora.


Foto: Angélica Goudinho


Outra importante mudança introduzida por Grace Passô está relacionada às filhas da trágica personagem grega. Na montagem, as meninas não são representadas por nenhum objeto, atriz ou boneca, quem cumpre esse papel é o público.


"Os espectadores da Medeia assistem ao espetáculo com a expectativa de vê-la ‘matando’ as crianças, porque é nesse momento que acontece a catarse. Mas, desta vez, o impacto do ato será muito maior, pois as pessoas verão o trabalho sabendo que irão ‘morrer’ em algum momento”, acrescenta.


Uma ópera-balada


Foto: Angélica Goudinho


A peça é um desdobramento de “Mata teu Pai”, espetáculo que estreou em 2017 com Debora Lamm no papel principal. Desta vez, a música ganhou muita importância, tornando-se quase uma protagonista.


A obra se transformou em uma ópera-balada, gênero que se originou no início do século 18 e mescla melodias em estilo popular (pré-existente ou recém-composta) com diálogo falado.


Assim, parte do texto de Grace se tornará um libreto criado pelo compositor Vidal Assis. Ele compôs 11 movimentos, executados ao vivo pelo musicista Barulhista junto às atrizes e cantoras.


Ficha Técnica

Dramaturgia: Grace Passô

Direção: Inez Viana

Composições originais: Vidal Assis

Direção Musical e músico convidado: Barulhista

Performance Medeia: Assucena

Participação Especial: Aivan

As Vizinhas: Eme Barbassa, Joana dos Santos e Warley Noua

Interlocução Artística: Fabiano Dadado de Freitas

Iluminação: Sarah Salgado

Cenário: Ailton Barros

Figurino: Kleber Montanheiro

Programação Visual: Andre Senna

Assessoria de Imprensa: Marcia Marques, Canal Aberto

Direção de Produção: Bem Medeiros

Produção Executiva: Marco Chavarri

Realização: Eu + Ela Produções Artísticas Me


MATA TEU PAI, ÓPERA-BALADA

Temporada: De 17 de Agosto a 09 de Setembro*

Horário: De Terça à Sexta, às 20h30**

Local: Rua Clélia, 93 - Pompeia

Ingressos: R$ 30,00 (inteira) | R$ 15,00 meia) | R$ 5,00 (credencial plena) | Compre aqui

Duração: 60 minutos

Classificação: 14 anos

Capacidade: 60 lugares


*Sessão da sexta, dia 19 de Agosto será transferida para o sábado, dia 20 de Agosto

**Dia 08 de Setembro, sessão com tradução em libras


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