Confira a peça-filme "Onde Vivem os Bárbaros", do Coletivo Labirinto

Com direção de Wallyson Mota, espetáculo é a terceira montagem do grupo

Foto: Mayra Azzi


Desde sua fundação em 2013, o Coletivo Labirinto tem como pesquisa o olhar para as relações do sujeito com o seu panorama social através da dramaturgia latino-americana contemporânea. Onde Vivem os Bárbaros, de Pablo Manzi, é a terceira montagem do grupo e estreia de forma online e gravada. A direção e tradução são de Wallyson Mota, que também integra o elenco ao lado de Abel Xavier, Carol Vidotti, Ernani Sanchez e Ton Ribeiro.


Após estudos e passagens do grupo pela dramaturgia argentina e uruguaia, a peça escrita no Chile apresenta uma ampla base de reflexão para traços determinantes de nosso percurso social, tais como a normalização e a validação da violência dentro de contextos supostamente democráticos. O texto traz ainda uma oportuna reflexão sobre o arquétipo do bárbaro – o ser que está sempre fora da sociedade “civilizada”, excluído de seu epicentro político e social.


A obra conta a história de três primos que, depois de vários anos sem se ver, decidem se encontrar no Chile, em 2015. O anfitrião, diretor de uma ONG reconhecida por realizar ações de estabelecimento da democracia em zonas de conflito, se vê envolvido no estranho homicídio de uma jovem ligada a movimentos neonazistas. Este fato desencadeia atitudes inesperadas das personagens e um extenso debate sobre a ideia que cada um constrói sobre o outro, que culmina na deflagração das diferentes formas de violência entre os convidados.


Fotos: Mayra Azzi


Onde Vivem os Bárbaros apresenta uma sociedade que busca respostas rápidas para assuntos complexos, mesmo que para isso se arrisque pelo terreno das injustiças e se expresse por gestos inequívocos de silenciamento do que lhe é diferente – entendido então como um inimigo.


Qualquer semelhança com o que vivemos não é mera coincidência. Ao conhecer essa dramaturgia, de diálogos ágeis e sinuosos, o Coletivo Labirinto pôde novamente (assim como tinha lhe parecido com o Argumento Contra a Existência de Vida Inteligente no Cone Sul, seu espetáculo anterior) deparar-se com um material que trata diretamente e de maneira vertical dos desdobramentos de nosso percurso social, estabelecendo assim uma ponte de interlocução com a realidade chilena – comum e ao mesmo tempo diversa a nós.


O Coletivo Labirinto nasceu em 2013, no ano das emblemáticas manifestações políticas pelo preço do transporte público (e que logo em seguida se pasteurizam em reivindicações genéricas e pouco objetivas), e acompanhou a transformação dos processos sociais no Brasil que culminaram na deposição da ex-presidenta Dilma Rousseff em 2016, no avanço das pautas neoliberais e na discussão um tanto incerta sobre os rumos políticos do país.


O grupo pôde, com isso, perceber semelhanças entre essa trajetória e a de seus países vizinhos – com disputas políticas igualmente polarizadas, avanço de medidas econômicas similares e o crescimento de um pensamento conservador também assentado na moral. Dessas observações e vivências - no cotidiano e nas suas ações criativas -, conseguiu amadurecer a necessidade de entender-se como brasileiro e latino-americano, não uma coisa pela outra.


A dramaturgia de Pablo Manzi, autor e diretor chileno que tem conseguido gerar interesse pelas suas discussões em seu país e fora dele (com participações frequentes em Mostras e Festivais Internacionais de Teatro), ofereceu ao Coletivo Labirinto uma ampla base de reflexão para as questões ditas acima, tanto pelos assuntos que trata e quanto pela maneira como os provoca.


FICHA TÉCNICA:

Direção: Wallyson Mota

Dramaturgia: Pablo Manzi

Tradução: Wallyson Mota

Elenco: Abel Xavier, Carol Vidotti, Ernani Sanchez, Ton Ribeiro e Wallyson Mota

Assistente de Direção: Carolina Fabri

Direção de Fotografia: Raphael B. Gomes

Som Direto: Tomás Franco

Montagem (edição): Laíza Dantas

Cenografia e figurino: Lu Bueno

Iluminação: Matheus Brant

Concepção Sonora: Gregory Slivar

Cenotécnico: Armando Júnior

Aderecista: Jésus Seda

Visagismo: Fábia Mirassos

Técnico de Luz: Guilherme Soares

Designer Gráfico: Alexandre Caetano – Oré Design

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Fotos: Mayra Azzi

Assistente de produção: Luiza Moreira Salles

Produção: Carol Vidotti

Realização: Coletivo Labirinto



ONDE VIVEM OS BÁRBAROS

Temporada: Até 05 de Dezembro

Ingressos: Gratuito

Local: Transmissão pelos canais do Youtube dos Teatros da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo

Duração: 75 min

Classificação: 14 anos

TEATRO JOÃO CAETANO

Dias: 04, 05, 06 e 07 de Novembro Horário: Quinta, Sexta e Sábado às 21h | Domingo às 19h

TEATRO PAULO EIRÓ

Dias: 12, 13 e 14 de Novembro

Horário: Sexta e Sábado às 21h | Domingo às 19h

TEATRO ALFREDO MESQUITA

Dias: 19, 20 e 21 de Novembro

Horário: Sexta e Sábado às 21h | Domingo às 19h

TEATRO CACILDA BECKER

Dias: 26, 27 e 28 de Novembro de 2021 Horário: Sexta e Sábado às 21h | Domingo às 19h

TEATRO ARTHUR AZEVEDO

Dias: 03, 04 e 05 de Dezembro Horário: Sexta e Sábado às 21h | Domingo às 19h