Coletivo Labirinto estreia "Onde Vivem os Bárbaros" em setembro, no Sesc Pompeia

Espetáculo cria uma reflexão sobre a democracia e sobre quem pode exercer a cidadania em nossa sociedade


Foto: Mayra Azzi



Depois de ganhar uma versão em forma de peça-filme, "Onde Vivem os Bárbaros", a quarta montagem do Coletivo Labirinto, finalmente tem sua estreia presencial no Sesc Pompeia.


O espetáculo, assim como os outros trabalhos do grupo, pesquisa o olhar para as relações do sujeito com o seu panorama social através da dramaturgia latino-americana contemporânea. O texto é assinado por Pablo Manzi e a direção, por Wallyson Mota, que também está no elenco ao lado de Abel Xavier, Carol Vidotti, Ernani Sanchez e Ton Ribeiro.


Embora o grupo tenha adaptado o texto teatral para a linguagem audiovisual, segundo o diretor, apenas no palco é possível desfrutar das estruturas originais pensadas para a construção da obra. Afinal, como ele próprio explica: “Se o cinema é o território da imagem, o teatro é o da ação. Essa distinção é fundamental para o que estamos realizando. Estamos agora no processo de transformar todas as imagens construídas em ação cênica”.


Foto: Mayra Azzi


“O espetáculo promove através de uma situação ficcional uma espécie de ágora contemporânea sobre vários pontos de nossa vivência política, social, histórica e até mesmo filosófica. Essa ideia de que uma certa assembleia pode surgir ao redor da narrativa só é possível em sua plenitude no teatro. Isso porque o teatro é um espaço de comunhão, um lugar onde uma coletividade se agrupa ao redor de algo ou de uma ideia, onde podemos compartilhar sensações, pensamentos e emoções através da simples presença dos corpos”, acrescenta Mota.


A trama conta a história de três primos que se reencontram depois de vários anos sem se ver. O anfitrião, diretor de uma ONG reconhecida, revela estar envolvido em um estranho assassinato, fato que desencadeia manifestações de violência entre os convidados. Esse encontro aparentemente familiar torna-se cada vez mais terrível com o aparecimento de personagens que vão agravar as ideias que cada um construiu sobre o outro, sobre o inimigo.


Foto: Mayra Azzi


Escrita no Chile, a peça apresenta uma ampla base de reflexão para traços determinantes de nosso percurso social, tais como a normalização e a validação da violência dentro de contextos supostamente democráticos.


O texto traz ainda uma oportuna reflexão sobre o arquétipo do bárbaro. “Bárbaro é aquele que não é cidadão. Por esse viés, é o que está à margem, fora das premissas civilizatórias, o que é visto como bruto, sujo, selvagem. É o que não habita a polis, o que não tem direito de exercer ação sobre o Estado instituído. Mas o que seria uma sociedade civilizada e o que seria uma sociedade bárbara? Acredito que o ponto que mais nos interessa em tudo isso é: quem pode ocupar os espaços de uma pressuposta cidadania hoje? Quem sempre ocupou esses lugares e quem segue sendo apartado/a deles?”, questiona o encenador.


Mota ainda conta que a proposta do grupo não é propor uma reflexão sobre a democracia no sentido de desmoralizá-la. “Queremos falar sobre o entendimento total de sua importância e da constatação de que ela só existe de fato quando as mais diversas pessoas (seja pelo recorte de classe, raça ou gênero) podem usufruir de suas benesses e interferir no seu funcionamento.


Foto: Mayra Azzi


A democracia de fato só existe quando ela é praticada por todos os setores da sociedade. Por isso, ela é um exercício coletivo e público, que deve ser praticado e desenvolvido a todo instante, para que não deixe de existir”, finaliza.


Ficha Técnica:

Direção: Wallyson Mota

Dramaturgia: Pablo Manzi

Tradução: Wallyson Mota

Elenco: Abel Xavier, Carol Vidotti, Ernani Sanchez, Ton Ribeiro e Wallyson Mota

Assistente de direção: Carolina Fabri

Cenário e figurino: Lu Bueno

Iluminação: Matheus Brant

Visagismo: Fábia Mirassos

Concepção Sonora: Gregory Slivar

Cenotécnico: Armando Junior

Aderecista: Jésus Seda

Fotos: Mayra Azzi

Assessoria de imprensa: Pombo Correio

Produção: Corpo Rastreado – Leo Devitto

Direção de Produção: Carol Vidotti

Realização: Coletivo Labirinto


ONDE VIVEM OS BÁRBAROS

Temporada: De 21 de Setembro a 14 de Outubro*

Horário: Terça a Sexta-feira, às 20h30**

Local: Rua Clélia, 93 - Água Branca

Ingressos: R$ 30,00 (inteira) | R$ 15,00 (meia) | R$ 9,00 (Credencial plena) | Compre aqui

Classificação: 14 anos

Duração: 75 minutos

Capacidade: 40 lugares


*Sessão acessível no dia 13 de Outubro

**Dia 12 de Outubro (Feriado, sessão às 17h30


Protocolos de segurança

O uso de máscara, cobrindo boca e nariz, é recomendado. Se você apresentar sintomas da Covid-19, procure o serviço de saúde e permaneça em isolamento social.