Após temporadas de sucesso, musical “Naked Boys Singing!” reestreia em São Paulo em junho

Espetáculo aborda questões como masturbação, HIV, gordofobia, e claro, o amor.

Foto: Caio Gallucci


"Naked Boys Singing!" é um espetáculo de teatro musical, ícone da cultura gay, que estreou no Hollywood 's Celebration Theatre, em Los Angeles nos Estados Unidos, em 1998, e que posteriormente foi montado em New York, onde se tornou o segundo musical mais longevo off-Broadway. Produzido em mais de 20 países, desde a sua estreia sempre esteve em cartaz em algum lugar do mundo.


No Brasil, a nova montagem esteve em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso - Sala Paschoal Carlos Magno (2021) e, devido ao sucesso, retornou em cartaz com nova temporada presencial, em janeiro (2022), no Teatro Nair Bello. O espetáculo esteve também no Teatro Claro Rio, no Rio de Janeiro (2022) e gora retorna a capital paulista em junho, novamente no Teatro Nair Bello.


Foto: Caio Gallucci


Com músicas pujantes, tocadas ao vivo por um ator/pianista e defendido com energia e vitalidade por dez atores/cantores/bailarinos, além de uma equipe criativa com nove artistas. O espetáculo é dividido por 15 atos musicados, que abordam temas distintos relacionados ao corpo masculino, do cômico nonsense ao drama.


Segundo o diretor Rodrigo Alfer, a pele exposta, desta vez, no musical tem um significado mais amplo e poético, principalmente pelo momento de pandemia em que fomos obrigados a nos cobrir, e temermos o corpo e contato com o outro. O musical além de libertador é uma celebração à vida.



O Musical

Foto: Caio Gallucci


"Naked Boys Singing!" possui a estrutura de um gênero que surgiu na França no século XV, o Vaudeville, nele artistas se apresentavam através de números musicais, de dança, acrobacias, mágicas, atletas, grupos ciganos e números com animais. No seu início, os espetáculos eram apenas dirigidos para homens, pois seus números eram considerados grosseiros e chulos. No século XIX nos EUA e Canadá ganhou contornos de comédia ligeira e foi a principal forma de entretenimento da classe média burguesa tornando-se uma diversão para toda a família.


Foto: Caio Gallucci


No Brasil houve uma junção entre os termos que pode ser encontrada como opereta, variedade e teatro de revista. Diferente de seu intuito inicial, que era somente entreter a burguesia, "Naked Boys Singing!" ! joga luz em temas como, circuncisão, masturbação, HIV, ereção involuntária, corpo padrão, gordofobia, pornografia e outras surpresas, além, é claro, de falar de amor.


O nu masculino na arte

Foto: Caio Gallucci


Na história da arte figurativa, o nu existe desde os primórdios, foi praticado em diversas culturas como egípcias e assírias. Ao buscar um recorte em nossa cultura ocidental para o corpo masculino, é possível encontrarmos a forma de como foi retratado. Na Grécia antiga, berço de nossa civilização, esteve presente tanto nas artes quanto na mitologia, onde encontramos seres com figurações masculinas e fálicas, como é o caso do deus Príapo.


Com o passar do tempo, o corpo nu masculino entrou para os estudos de anatomia, onde se fortaleceram nas instituições de arte e deixaram de ser algo provocativo, sendo retomado nos anos sessenta através de performances artísticas.


Foto: Caio Gallucci


No Brasil, o espetáculo musical americano Hair, que em 1969 esteve em cartaz na cidade de São Paulo, com atores hoje consagrados, como Ney Latorraca, Antônio Fagundes e Sônia Braga, é considerado o primeiro espetáculo teatral


com nu frontal coletivo, seguido por espetáculos do Teatro Oficina e por Raul Cortez que verdadeiramente fez o primeiro nu frontal masculino do teatro brasileiro, no celebrado espetáculo O Balcão, de Jean Genet.


Foto: Caio Gallucci


Após esse período, o nu, principalmente o masculino, foi perdendo a sua força no que se diz respeito ao seu uso nas artes, e praticamente se tornou um tabu. Diferente do corpo feminino que sobreviveu, mas a serventia de um mundo patriarcal e machista.


Muito se fala da nudez gratuita ou de sua conotação mercadológica para se vender ingressos. Também se é dito que o nu ficou no passado e que ninguém mais se interessa. Com o advento da internet e da pornografia a mão de quem quiser, o nu foi atrelado a uma categoria menor, colocado num nível abaixo até mesmo por artistas.


Ficha Técnica:

Idealização: Robert Schrock

Versionista: Rafael Oliveira

Direção: Rodrigo Alfer

Direção Musical: Ettore Veríssimo

Assistente de Direção Musical: Gabriel Fabbri

Elenco: André Lau, Aquiles, João Hespanholeto, Lucas Cordeiro, Ruan Rairo, Silvano Vieira, Victor Barreto, Naice, Tiago Prates, Rodrigo Serphan e Gabriel Fabbri - Pianista

Direção Coreográfica: Alex Martins

Assistente de Coreografia: João Hespanholeto

Direção de Acting: Érika Altimayer

Cenário e Figurino: Daniele Desierrê

Desenho de Luz: Guilherme Pereira e Rodrigo Alfer

Operação de Luz: Guilherme Pereira

Desenho de Som: André Omote

Copista: Rafael Gamboa

Cenotecnia: Alexandre de Marco

Produção: Alexandre de Marco

Produção Bacana Produção Artísticas & Mosaico Produções


NAKED BOYS SINGING!

Temporada: De 10 de Junho a 10 de Julho

Horário: Sexta e Sábado, às 21h30 | Domingo, às 19h

Local: Rua Frei Caneca, 569 - 3º Piso, Shopping Frei Caneca

Ingressos: R$ 80,00 (inteira) | R$ 40,00 (meia) | Compre aqui

Duração: 80 min

Classificação: 16 anos