Adaptação do romance de Mário de Andrade ganha novas apresentações em Teatros Municipais

Peça coloca em pauta o papel de subordinação da mulher na sociedade patriarcal


Foto: João Caldas Fº


Escrito em 1927 e considerado o primeiro romance do escritor modernista Mário de Andrade (1893-1945), Amar, Verbo Intransitivo ganhou em 2019 uma adaptação teatral com dramaturgia de Luciana Carnieli e direção de Dagoberto Feliz. Após circular por 6 cidades do interior de São Paulo no primeiro semestre, agora, em agosto, o trabalho ganha novas apresentações gratuitas nos teatros municipais Paulo Eiró, Alfredo Mesquita e Arthur Azevedo.


O espetáculo estreou na Oficina Cultural Oswald de Andrade e ficou em cartaz em 2019 e 2020 no Teatro Eva Herz, com temporadas prorrogadas. Também participou do Festival Mário de Andrade, com apresentações na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, e realizou apresentações no Sesc Campinas. Por interpretar a personagem Fräulein Elza, Luciana Carnieli foi indicada como Melhor Atriz nos prêmios APCA e Aplauso Brasil.

Foto: João Caldas Fº


A trama narra a história da governanta Fräulein Elza, que é contratada por uma família tradicional paulista nos anos de 1920 para fazer a iniciação amorosa e sexual de Carlos (vivido por Pedro Daher), o primogênito herdeiro. A partir desse encontro, os personagens vivem uma relação amorosa, revelando críticas sociais e comportamentais.


Leitor da alma feminina, Mário de Andrade constrói uma protagonista que se destaca por sua multiplicidade. A governanta, professora de línguas, de piano e de amor deixa a terra onde nasceu, a Alemanha, e torna-se sujeito de seu próprio destino em território brasileiro.


Uma prostituta alemã inserida na sociedade aristocrática de disfarces. A protagonista, apesar de estar colocada no contexto histórico do início do século XX, é ideal para discutir o constante papel de subordinação da mulher na sociedade burguesa e patriarcal.


Foto: João Caldas Fº


“Escolhi esse romance porque gosto muito da literatura de Mário de Andrade. Ele construiu uma personagem muito complexa, fascinante, redonda e vertical e eu tive muita curiosidade de me lançar nesse trabalho. Apesar de se passar nos anos de 1920, o romance espelha muito a nossa sociedade atual, na qual a mulher é subordinada ao homem o tempo todo. Por mais que Fräulein tenha sua dignidade e seja intelectualmente e culturalmente superior àquela família, é tratada como um ser inferior – não só pelo fato de ela ser prostituta, mas por ser mulher. Na história, vemos claramente que a sociedade paulistana, a aristocracia e a burguesia não mudaram nada”, revela a atriz Luciana Carnieli, que idealizou a montagem.


A encenação tem como foco central o jogo cênico entre os dois atores, que narram a história e simultaneamente interpretam os personagens. Assim, a linguagem cênica se alterna entre narração e dramatização.


A ação transcorre em um cenário que simula um estúdio cinematográfico. As partes dramatizadas acontecem como se estivessem sendo filmadas, acrescentando mais um degrau à história e à linguagem do espetáculo. Literatura, teatro e cinema se intercalam nessa transposição do romance para o palco.


Foto: João Caldas Fº


A criação dos figurinos conta com elementos essenciais e necessários para a construção desse universo. A música e a iluminação também darão suporte para retratar o ambiente de aparências e a sociedade patriarcal em que estão inseridos os personagens.


Ficha Técnica

Dramaturgia: Luciana Carnieli

Direção: Dagoberto Feliz

Elenco: Luciana Carnieli e Pedro Daher

Música: Dan Maia

Figurino: Kleber Montanheiro

Cenário: Marcela Donato

Iluminação: Túlio Pezzoni

Assessoria de imprensa: Pombo Correio

Produção Executiva: William Gibson

Produção: Luminária Produções Artísticas



AMAR, VERBO INTRANSITIVO


Teatro Paulo Eiró

Dia: 12 de Agosto

Horário: Sexta, às 21h

End.: Avenida Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro


Teatro Alfredo Mesquita

Dia: 19 de Agosto

Horário: Sexta, às 21h

End.: Avenida Santos Dumont, 1.770, Santana


Teatro Arthur Azevedo

Dia: 26 de Agosto

Horário: Sexta, às 21h

End.: Avenida Paes de Barros, 955, Mooca


Duração: 75 minutos

Ingressos: Gratuito | Retirar uma hora antes de cada sessão

Classificação: 12 anos